sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Pretendo voltar


Atenção, atenção, ainda estou aqui.

Insone mas estou. O que é insone, senão o medo de dormir, ficar tudo bem, e depois ficar insone de novo.

Eu não sei reconhecer meu rosto nos retratos espalhados pela cidade.

A cidade já tive em mim, perco as vezes encontro, encontro cidade em mim.

Encontro saudade em mim toda vez que esqueço o ar da saudade das coisas belas.

Eu tenho saudade do belo, do não vivido

Mas, existe saudade do que não se viveu?
Como pode sentir falta do que nunca teve?
Como sentir o que nunca sentir?

Para essas perguntas uso a mecânica do cérebro.

Mas ela até responde, mas não faz poesia aqui. Não cabe numa letra desse papel.

O que cabe aqui não tá escrito.

Não sei respostas. Só sei perguntas.

Hoje é noite, amanhã é sol.

Dormir então é noite querendo sol, ou sol querendo domar a noite.

Não sei. Só sei perguntas.
E perguntas não me calam, elas falam o tempo todo.

O todo falta sempre que faço perguntas atrás de respostas.

Podia mesmo é chover um caminhão com cheiro da madrugada.

Chuva da madrugada!

Todos dormindo, eu sozinho, mergulhado dentro da chuva toda que escorre em mim.