O meu traço me lembra alguém que eu não conheço, desconheço essa imagem refletida sobre mim, pensava ser imortal na compaixão, mas soube por vozes da rua, que tenho que sobreviver e para isso preciso pensar mais em mim e menos nas pessoas.
Observo atentamente que pessoas são projetos de coisas mal resolvidas que andam por ai, como se um dia resolveriam todas as mágoas do mundo, não quero ser duro nem sentimental, mas amo pessoas, mas parece que elas não foram programadas para isso.
A essência dos rostos, são formas desconexas, são trabalhos de imagens construídos a milhares de séculos, são traços que denunciam os maus-tratos, e os pesares de sobreviver, penso eu que viver é mais sofrido que não senti a vida.
Na maior parte do tempo estamos buscando soluções em busca da felicidade, mas nunca vi alguém completamente feliz, deve ser por que o construído e o desconstruído ainda não se juntaram.
Falta um ar de desespero formal nas pessoas, sim isso aproxima pessoas, infelicidade como estar num lugar apertado e quente deixa as pessoas mais sensibilizadas, fazem transparecer as mágoas, e com isso nos identificamos com elas, nos tornamos elas, pegamos um pouco delas e deixamos um pouco de nós nelas.
Pessoas são traços inacabados.
São objetos que se moldam e constroem seu espaço com força e violência, assim como a água, quando não tem passagem, força mesmo assim, estão o tempo todo inaugurando novos espaços e tempos que a caibam, sempre na tentativa desesperada de tentar encontrar ou promover encontros, sim são pessoas de carne, osso e essências, possuem formas, e possuem mistérios.
Violência na carne é pouco.
